Como tornar o networking um aliado no desenvolvimento profissional e social

O IBEF News é o veículo de comunicação IBEF SP Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo, que congrega aproximadamente 1.200 executivos e executivas de finanças ligados às principais empresas brasileiras. O IBEF nacional reune cerca de 4.500 profissionais e está presente em Belo Horizonte, Brasília, Campinas, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Porto Alegre, Rio de Janeiro, São Paulo e Vitória.

Na edição de Setembro 2010, o IBEF News trouxe como matéria de capa o tema networking. Com a participação de diversos especialistas, inclusive, o prof. Marcelo Miyashita, da Miyashita Consulting. Leia a matéria na íntegra, mais abaixo.


Como tornar o networking um aliado no desenvolvimento profissional e social

Como tornar o networking um aliado no desenvolvimento profissional e social
Intercâmbio de informações e opiniões, estabelecimento de parcerias e oportunidades de negócios são alguns dos principais benefícios auferidos pela rede de contatos
Paula Craveiro
IBEF NEWS, edição 148, Setembro 2010

Apesar de ser uma expressão muito conhecida, há quem ainda desconheça o real significado de networking. Muitos acreditam tratar-se de uma rede de contatos formada a partir de uma vasta coleção de cartões de visitas, coletados em inúmeros eventos e reuniões profissionais; há aqueles que acham que networking nada mais é que uma rede baseada na troca de favores entre seus participantes; ou, ainda, que se refere a uma série de contatos diretamente ligados à obtenção de uma recolocação no mercado de trabalho. Na realidade, praticar o networking significa instituir uma rede de relacionamentos com pessoas que poderão ter influência positiva em sua carreira.

 

 

 

José Augusto Miranda
“Em um mundo cada vez mais competitivo, uma boa rede de relacionamentos é capaz de fazer a diferença. Conhecer novas pessoas, participar de eventos profissionais e sociais, auxiliar quem precisa e ser lembrado amanhã. Isso é networking” José Augusto Miranda (HSBC/IBEF SP)

“Networking consiste na capacidade de se relacionar com pessoas que tenham interesses que possam ser compartilhados com você, em contatos capazes de gerar benefícios a todos os envolvidos”, explica José Augusto Miranda, presidente do IBEF Jovem, vice-presidente do IBEF SP e diretor regional do Global Private Banking do HSBC.

Quando bem executado, o networking torna-se um processo evolutivo que deve ser atualizado com frequência. “É algo natural. Basta simplesmente manter contato com as pessoas, sem esquecê-las e sem permitir que elas o esqueçam”, diz Miranda. Embora pareça algo simples – passível de ser resolvido com um mero telefonema ou e-mail, por exemplo -, muitos profissionais, independentemente dos cargos que ocupam e funções que desempenham, encontram inúmeras dificuldades ao (tentar) praticá-lo.

O profissional que sabe utilizar o networking de modo eficiente quase sempre tem acesso às melhores ofertas e colocações em relação àqueles que não dispõem de uma rede de contatos adequada, mesmo quando estes estejam mais bem qualificados para ocupar uma determinada posição. “Esse é o benefício do networking – a geração de oportunidades mútuas -, que pode garantir mais negócios, conhecimentos e empregos. E quanto mais network você conseguir, maior será seu campo e poder de influência”, comenta Leonardo Barros Brito de Pinho, executivo da

Leonardo Barros Brito de Pinho
“Em suma, quando nos preocupamos com rede, temos o cuidado de registrar, classificar e agrupar essa informação. Com isso, podemos visualizar melhor nossos contatos e, com eles, expandir nosso campo de influência, encontrando e distribuindo oportunidades nas tarefas diárias em nossas empresas, em nossa carreira ou mesmo em novos leads de negócios” Leonardo Barros Brito de Pinho (Lerosa/IBEF SP)

Lerosa Investimentos e presidente da Comissão de Relações Públicas do IBEF SP. “Nesse sentido, os executivos de Finanças, cada vez mais demandados de conhecimento e informações, têm nessa atividade um grande parceiro para obtenção dos mesmos. Não obstante, para muitas atividades dentre a carreira de Finanças, esta atividade é fundamental para geração de negócios e leads para suas empresas”.

“Em um mundo cada vez mais competitivo, uma boa rede de relacionamentos é capaz de fazer a diferença. Conhecer novas pessoas, participar de eventos profissionais e sociais, auxiliar quem precisa e ser lembrado amanhã. Isso é networking”, garante Miranda. Mas ter uma boa rede de relacionamentos não é apenas importante quando se busca uma vaga. Na própria rotina de trabalho se faz necessário desenvolver a prática do networking, tanto em benefício próprio, quanto para aproximar pessoas e criar novas oportunidades de negócios, parcerias e clientes.Nenhum homem é uma ilha

A famosa sentença (“Nenhum homem é uma ilha, sozinho em si mesmo; cada homem é parte do continente, parte do todo”) de John Donne, poeta inglês do século XVI, extraída de seu texto Meditações XVII, resume em si a necessidade de se
relacionar.

“Nós, seres humanos, somos gregários. Necessitamos estar em contato com outras pessoas, construir relacionamentos duradouros e, por meio deles, consequentemente, constituir uma rede de contatos”, afirma Rubens Batista Junior, sócio da Kaph Financial Group. Para o executivo, membro do Conselho de Administração do IBEF SP, a construção dessa rede ocorre de maneira natural. “Não podemos nos relacionar apenas com o interesse de nos promover ou de nos beneficiar. Aos olhos de nossos pares, isso soaria forçado e superficial demais. Seria um grande erro de nossa parte. O relacionamento deve acontecer de modo natural, movido pela razão de querermos causar impacto positivo na vida das pessoas com as quais convivemos”.

Construindo uma rede de relacionamentos
Patrícia Wolff, coach e diretora da Quantas Consulting, apresenta dez dicas de como construir uma boa rede de contatos:

1. Defina seus objetivos. O que você realmente quer? O que você precisa?
2. Faça uma lista com os nomes das pessoas que você conhece e a mantenha o mais atualizada possível.
3. Crie seu perfil nas principais redes de relacionamento e o promova. Mas, atenção: analise muito bem os dados que serão inseridos para não passar uma imagem diferente da desejada.
4. Pesquise quem são as dez pessoas mais influentes em sua área de atuação e faça uma lista com seus nomes.
5. Verifique se algum de seus contatos pode apresentá-lo a uma dessas pessoas influentes. Se não, pesquise sobre elas na internet, livros e fóruns.
6. Divida sua lista em dois grupos: pessoas que podem ajudá-lo imediatamente a atingir seus objetivos e pessoas que contatará assim que concluir o contato com o primeiro grupo.
7. Planeje detalhadamente a abordagem a ser adotada e treine.
8. Durante os contatos, busque informações relevantes e faça com que se interessem por você.
9. Atualize sua lista, incluindo data e informações relevantes do último contato, periodicidade dos contatos e o meio escolhido (e-mail, telefone, pessoalmente).
10. Detalhe seus próximos passos aos principais contatos e… ação!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 
A mesma opinião é compartilhada por José Rogério Luiz, vice-presidente executivo, Chief Financial Officer (CFO) e diretor de Relacionamento com Investidores da Totvs, e membro da Diretoria Executiva do IBEF SP. “Vivemos em sociedade e, obviamente, tudo é formado por pessoas. Não faz sentido, tanto do ponto de vista pessoal quanto, principalmente, profissional, manter-nos no isolamento”, garante.

José Rogério Luiz
“Trocar experiências, colocar-se à disposição e contribuir para a resolução de problemas de seus contatos e fazer o conhecimento circular também são parte integrante do processo de networking” José Rogério Luiz (Totvs/IBEF SP)

No universo corporativo, ter um bom relacionamento é um item fundamental. “Hoje em dia, a oferta é muito superior à procura e, exatamente por isso, é necessário ser um profissional competitivo. Nesse aspecto, ter uma boa rede pode ser extremamente útil na hora de obter uma recolocação no mercado de trabalho”, lembra. Mas, vale ressaltar, que networking não é útil apenas nesse sentido. Ele também pode contribuir para o cotidiano de qualquer profissional. “Trocar experiências, colocar-se à disposição e contribuir para a resolução de problemas de seus contatos e fazer o conhecimento circular também são parte integrante do processo de networking”, complementa José Rogério.

Luciana Medeiros von Adamek
“A função do networking vai muito além do próprio ganho pessoal. Ele deve ser compreendido como uma via de mão dupla. Se o profissional recorre à sua rede apenas em momentos de necessidade, ele acaba afastando seus contatos. É preciso estender a mão e contribuir com as outras pessoas, promovendo o intercâmbio constante de informações e conhecimentos” Luciana Medeiros von Adamek (PwC/IBEF SP)

“Sempre que desejar, o profissional pode recorrer aos seus contatos para trocar informações sobre o desenvolvimento de políticas e projetos, buscar profissionais em relações comerciais, pedir conselhos e orientação sobre mercado”, esclarece Luciana Medeiros von Adamek, vice-presidente da Diretoria Executiva do IBEF SP, coordenadora-geral do IBEF Mulher e diretora da PricewaterhouseCoopers (PwC). “A função do networking vai muito além do próprio ganho pessoal. Ele deve ser compreendido como uma via de mão dupla. Se o profissional recorre à sua rede apenas em momentos de necessidade, ele acaba afastando seus contatos. É preciso estender a mão e contribuir com as outras pessoas, promovendo o intercâmbio constante de informações e conhecimentos”.

Luiz Augusto Miranda complementa: “O mercado financeiro no Brasil é relativamente pequeno e limitado se comparado ao mercado de outros países. Daí a necessidade e importância de se relacionar, contribuindo tanto para o fortalecimento da imagem do profissional quanto para a resolução conjunta de situações que surgem no dia a dia”.

Para Paulo de Tarso Borges Baptista, especialista em Produtos Financeiros e PEMA da Marsh Corretora de Seguros e membro da Diretoria Vogal do IBEF SP, “uma rede de contato eficaz deve ser baseada em interesses comuns, ser inclusiva e evitar a rigidez para admissão de seus membros. Adicionalmente, deve também propiciar encontros pessoais agradáveis, uma vez que são de livre adesão e seus membros normalmente são profissionais que buscam tempo para viver suas vidas pessoais. Outro objetivo é provocar diálogos livres entre seus membros”, explica.

“Não acredito em relacionamento sem conteúdo ou somente por interesse. Esse tipo de relacionamento tem vida curta, porém, conhecer pessoas no mercado, eventualmente criando até mesmo boas amizades é extremamente importante”, destaca Rodrigo Kede de Freitas Lima, CFO da IBM e presidente da Diretoria Executiva do IBEF SP. “Às vezes, uma simples entrevista não é o suficiente para uma pessoa conseguir um determinado emprego, pois o tempo é curto. Mas se ela vier acompanhada da recomendação de alguém que a conhece profissionalmente e a admira, o processo se torna muito mais positivo. Por isso, é importante se relacionar. É essencial conhecer as pessoas e também ser conhecido. Não adianta ajudar ou estar presente apenas uma vez por ano. Relacionamento de verdade é criado aos poucos e com o passar do tempo”.

Conseguindo uma boa conexão
Antes de se iniciar o processo de formação de uma rede de contatos, o profissional deve ter em mente alguns pontos essenciais que o apontem sua real necessidade de praticar networking. Por que fazer?

• Para conhecer gente.
• Para conseguir uma recolocação profissional.
• Para dizer às pessoas que está buscando uma nova colocação profissional.
• Para estabelecer relacionamentos.
• Para obter algum benefício.

Ultrapassada essa etapa, é preciso arregaçar as mangas e partir para o trabalho. Segundo David Bomzer, executivo de Recursos Humanos especializado em networking, existem várias possibilidades de se iniciar uma boa rede de contatos. Para isso, ele dá algumas dicas essenciais sobre como proceder.

• Conhecer a pessoa: o networking começa com comportamento e linguagem de corpo. Ter um comportamento positivo é aspecto importante da atividade. Exemplos de um comportamento positivo incluem ser caloroso, entusiástico, relaxado, curioso, prestativo, paciente e interessado.

• Estabeleça credibilidade: uma boa tática para estabelecer credibilidade é usar habilidades sincronizadas, ajustando seus recursos físicos e vocais para estarem em sintonia com os da outra pessoa. Esta sincronização de seus atributos físicos pode incluir o alinhamento de gestos, a postura e movimento corporal, expressões faciais e até mesmo a respiração. Segurança de movimentos e na fala são imprescindíveis.

• Comunicação eficiente: o networking eficiente requer diálogo. Você pode conseguir isso buscando formas de trocar informações e de se ajudar mutuamente. Pergunte no lugar de dizer. Use perguntas em aberto – aquelas que começam com quem, o que, quando, onde e como. Outra técnica eficiente é fornecer detalhes que permitam ao interlocutor extrair informação e então responder. Por exemplo: “Oi, meu nome é David, eu sou executivo de Finanças”. Isso estende seu cumprimento e dá uma oportunidade de resposta ao seu interlocutor.

Primeiros passos

Uma rede de contatos pode ser iniciada em qualquer ambiente, seja ele profissional ou social. Procurar ex-empregadores e colegas de trabalho, colegas da época de faculdade, fornecedores, clientes, concorrentes, membros de associações de classe, amigos e parentes pode ser de grande valia. “Os contatos estabelecidos ao longo da vida representam uma ótima maneira de começar a rede de relacionamentos. Não custa também se apresentar e pedir informações”, sugere Claudia Monari, consultora de carreira da empresa de recursos humanos Career Center. “Frequentar locais, como eventos profissionais, congressos, palestras e participar de listas de discussão também ajudam a abrir portas”.

“Acredito que uma das melhores maneiras – se não a melhor – de se formar um networking é encontrar uma instituição na qual você tenha a possibilidade de conviver e conhecer seus pares e dialogar sobre assuntos de seu interesse. Inclusive, sempre opto por não utilizar a palavra contato e sim colega, porque é isso que acabamos nos tornando” Rodrigo Kede de Freitas Lima (IBM/IBEF SP)

“Muita gente busca desesperadamente investir em novos contatos, quando o caminho mais natural é valorizar o network que já temos. Todos nós temos uma rede de contatos, por menor que ela seja. Essa rede é formada por nossos colegas de trabalho, fornecedores, clientes e parceiros de negócios, amigos de faculdade, amigos mais próximos, familiares e vizinhos”, destaca Leonardo Barros. “Contatos todo mundo tem. Só que é preciso organizá-los e utilizá-los de maneira adequada. Em suma, quando nos preocupamos com rede, temos o cuidado de registrar, classificar e agrupar essa informação. Com isso, podemos visualizar melhor nossos contatos e, com eles, expandir nosso campo de influência, encontrando e distribuindo oportunidades nas tarefas diárias em nossas empresas, em nossa carreira ou mesmo em novos leads de negócios. Porém, é importante deixar claro que network é consequência”, pontua.

“Acredito que uma das melhores maneiras – se não a melhor – de se formar um networking é encontrar uma instituição na qual você tenha a possibilidade de conviver e conhecer seus pares e dialogar sobre assuntos de seu interesse. Inclusive, sempre opto por não utilizar a palavra contato e sim colega, porque é isso que acabamos nos tornando”, comenta Rodrigo.

O networking é um caminho de duas vias. “Quando encontrar alguém, comece o relacionamento perguntando sobre o negócio dele e fale do seu, começando por dados básicos, como nome da empresa, natureza do negócio, o tipo de cliente que a empresa atende, entre outros tópicos”, orienta Claudia.

Outro critério válido, segundo a consultora, é se relacionar com pessoas que estejam dispostas a auxiliar os demais, sem condições pré-estabelecidas. “O profissional deve buscar a formação de uma rede de contatos estratégica. Para isso, é preciso que um ofereça novidades e estímulos ao outro”, pontua.

Steven M. Krauser
“Muitas pessoas frequentam anualmente dezenas, talvez centenas, de palestras, conferências, workshops, entre tantos outros eventos de cunho técnico, em busca de novos contatos e cartões de visitas. Se o resultado de um networking for uma pilha enorme desses cartões, mas poucas novas transações e negociações, lamento informar, mas é o momento de reavaliar os métodos aplicados” Steven M. Krauser (Network Associates)

Para Steven M. Krauser, especialista em networking e presidente da Network Associates, de Nova York, nos Estados Unidos, a maioria dos executivos de negócio não sabe fazer do networking uma verdadeira ferramenta de trabalho. “Muitas pessoas frequentam anualmente dezenas, talvez centenas, de palestras, conferências, workshops, entre tantos outros eventos de cunho técnico, em busca de novos contatos e cartões de visitas. Se o resultado de um networking for uma pilha enorme desses cartões, mas poucas novas transações e negociações, lamento informar, mas é o momento de reavaliar os métodos aplicados. Colecionar cartões, sem saber utilizá-los adequadamente, não leva a nada”.

Acesso à rede

“O networking é a arte de fazer e utilizar contatos”, conceitua Krauser. Mas, para utilizá-los, é preciso moderação e bom senso, a fim de não ser mal interpretado por seu contato. Conhecer uma pessoa, pedir seu cartão, anotar seu e-mail e enviar um currículo não são, em hipótese alguma, fazer networking. É ser inconveniente. E, definitivamente, ninguém quer ser visto e lembrado desse modo. Criar uma boa rede de relacionamentos requer tempo e muita paciência.

“Coloque a pessoa diante de contatos que possam resultar em negócios para ela; seja sincero, pois, mesmo que você comprometa a venda de seu produto ou serviço naquele instante, isso gerará credibilidade para você; busque interesses comuns que os una; demonstre conhecimento, comentando sobre assuntos que interessem à outra pessoa; e seja um contato sempre presente, mesmo quando você não precisa falar nada” Jeffrey Gitomer(Autor de O Livro Negro do Networking)

Se a abordagem estiver baseada em alguns valores e seu foco for o ganha-ganha, ou seja, gerar benefícios a todos os envolvidos, certamente esse profissional não será considerado um chato. Ao contrário, isso o fará ganhar pontos junto aos demais. “Existem valores que são indispensáveis a todo e qualquer tipo de relacionamento, seja no âmbito social, pessoal ou profissional, como respeito, transparência, lealdade e, principalmente, reciprocidade, pois além do networking ser uma via de mão dupla, é preciso fazer com que o outro se interesse e queria contatar você”, elucida o especialista.

Para despertar o interesse do outro, Jeffrey Gitomer, autor de “O livro negro do networking”, destaca que é importante que se ofereça valor. “Coloque a pessoa diante de contatos que possam resultar em negócios para ela; seja sincero, pois, mesmo que você comprometa a venda de seu produto ou serviço naquele instante, isso gerará credibilidade para você; busque interesses comuns que os una; demonstre conhecimento, comentando sobre assuntos que interessem à outra pessoa; e seja um contato sempre presente, mesmo quando você não precisa falar nada”.

Como fazer seu networking cada vez melhor
Dicas extraídas do livro “Networking – Como utilizar a rede de relacionamentos na sua vida e na sua carreira”, de José Augusto Minarelli:

• Demonstre interesse pela pessoa. Faça contato regularmente, mesmo que seja apenas para saber como ela está.
• Seja proativo e não espere que o outro tome iniciativa. Saia na frente.
• Preste atenção no que os outros dizem. O ato de escutar é de grande valia.
• Seja objetivo. Ao solicitar a ajuda de alguém, ajude o outro a ajudar você.
• Seja persistente, mas não inconveniente.
• Esteja sempre pronto a ajudar os outros, mesmo que o ato não lhe traga benefício imediato.
• Aproxime-se de desconhecidos. Não fique sozinho nem passe o tempo todo com aqueles que você já conhece. Conheça novas pessoas.
• Jamais faça comentários negativos a respeito de ninguém.

Gerenciamento de contatos

Mais que apenas contabilizar contatos, é preciso reavaliar periodicamente as pessoas que fazem parte de seu círculo de relacionamento. Para isso, é fundamental que o executivo coloque em prática suas habilidades de gerenciamento e priorize seus contatos. “Um executivo, ou qualquer outro profissional, certamente está em contato com mais frequência com determinadas pessoas que são mais úteis a ele. Essas pessoas compõem seu círculo interno”, explica Gitomer.

É importante verificar também se há alguém relevante que, em algum momento, acabou ficando temporariamente esquecido, e retomar o contato, buscando mantê-lo com mais frequência. “É preciso ter consciência de que se nos esquecemos de um profissional, ele também pode nos esquecer”, ressalta.

Sem espaço para timidez

Se o executivo é uma pessoa do tipo introvertida, tudo pode parecer mais complexo do que, de fato, é. Para superar essa dificuldade, comum a aproximadamente 25% da humanidade, nada melhor que colocar seus conhecimentos em prática e sair conversando com todo mundo.

É essencial que se tenha em mente que, no campo corporativo, não há espaço para sentimentos como despreparo, vergonha, autoimagem limitada e procrastinação. “A única maneira de superar o medo é começar a desenvolver autoconfiança por meio de preparo. Resumidamente, o profissional precisará de treino, treino e mais treino”, garante Claudia.

E-networking

Nas últimas duas décadas, a internet tornou-se uma ferramenta extremamente poderosa no exercício do networking, encurtando caminhos entre os profissionais. “A internet é uma excelente ferramenta para desenvolver networking, porém, é preciso tomar algumas precauções, como, por exemplo, ter consciência de que uma coisa é a exposição profissional e outra, a pessoal. Então, deve haver cautela em relação a sites e grupos de discussão de que se participa e fotos que se coloca na rede”, explica José Rogério Luiz, da Totvs.

Relacionamento on-line
Conheça algumas das maneiras mais populares e de fácil utilização para comunicar-se com seus contatos.

• Redes sociais: Facebook, Twitter, Orkut.
• Diretórios de negócios: LinkedIn, Via6.
• Gerenciadores de contatos: Plaxo.
• Fóruns de debate: Yahoo Groups, Google Groups.
• Comunicadores: MSN, Skype.

O e-networking utiliza-se de elementos de mídia digital e internet como grupos de discussões, sites de relacionamento, e-mail, comunicadores, fóruns e gerenciadores de contatos, de modo a promover o relacionamento on-line entre aqueles que compartilham os mesmos interesses.

Sendo a internet um meio ágil e, de certa forma, com aspecto mais informal, corre-se o risco de pecar em quesitos simples, como cordialidade, disciplina, constância e bom senso. Ao utilizar qualquer meio de comunicação on-line, o profissional deve manter as mesmas normas e condutas adotadas no relacionamento off-line.

“Blogs, e-mails, Orkut e afins são excelentes ferramentas para a manutenção dos contatos. Mas é fundamental saber utilizá-las como mídia social e não como simples canais de informação, ou seja, fazer um bom conteúdo e ser reconhecido por isso”, ressalta Marcelo Miyashita, professor e especialista em networking.

Do ponto de vista da circulação de informação e conhecimento, Paulo de Tarso Borges Baptista, da Marsh, garante que “as redes virtuais facilitam muito o processo de comunicação entre as pessoas, proporcionando uma infraestrutura e simplificando os processos para mantermos nossa rede de relacionamento. Entretanto, apenas as relações mais próximas, mesmo que fortemente baseadas em tecnologia, serão eficazes”, observa.

Entretanto, como pontua José Rogério: “A tecnologia é uma realidade em nossas vidas, sendo bastante útil e necessária ao relacionamento. Contudo, é salutar observar o tempo despendido com esse meio, afinal todo excesso tende a ser prejudicial. O contato face a face ainda é a melhor opção para se manter um relacionamento agradável e duradouro com qualquer pessoa”.

Segundo dados da Nielsen, líder global em pesquisa de mercado, informações e ferramentas de análise, atualmente as redes de relacionamento são o quarto segmento mais popular, acima de e-mail pessoal, e os resultados são tangíveis, uma vez que encontramos pessoas fazendo negócios e amizades a todo o momento. “Mas é importante que a pessoa não fique apenas atrás da tela de um computador. Ela deve agendar um café ou um almoço com seus contatos e procurar levar convidados novos para que a rede já comece a se multiplicar e prosperar”, conclui Miyashita.

Marcelo Miyashita
“A participação em grupos demanda posicionamentos e pessoas firmes para que o relacionamento funcione bem. Todos os envolvidos precisam sentir que são ouvidos, respeitados e que lhes é atribuído um grau de valor. Se alguém falar muito, frustrará os demais. Mas se ficar calado, perderá a oportunidade de expor suas habilidades e talentos” Marcelo Miyashita (Professor e especialista em networking)

Grupos de relacionamentos

Há cerca de dez anos, surgiram, nos Estados Unidos, empresas especializadas na promoção de reuniões de grupos de networking. Atualmente, o custo médio da inscrição é de US$ 100, válidos por um trimestre. Essas empresas disponibilizam aos seus associados informações sobre oportunidades de trabalho direcionadas ao grupo e listas de contatos importantes.

Aqui no Brasil já existem algumas iniciativas semelhantes, mas, até o momento, a atividade ainda não se popularizou. “A participação em grupos demanda posicionamentos e pessoas firmes para que o relacionamento funcione bem. Todos os envolvidos precisam sentir que são ouvidos, respeitados e que lhes é atribuído um grau de valor. Por isso, é importante que se dê chance para os outros também mostrarem seu ponto de vista. Se alguém falar muito, frustrará os demais. Mas se ficar calado, perderá a oportunidade de expor suas habilidades e talentos”, destaca Miyashita.

Destinado exclusivamente a CEOs e com mensalidade variando de R$ 2,3 mil a R$ 3 mil, um exemplo desses grupos é o Renaissance Executive Forums. Fundado e sediado nos Estados Unidos, o grupo chegou ao Brasil em 2001 por intermédio do empresário André Kauffman e conta, atualmente, com aproximadamente 80 associados, selecionados mediante um rigoroso processo de admissão. Na mesma linha, está o Vistage, também sediado nos Estados Unidos, e que, hoje, conta com 16 subgrupos com cerca de dez CEOs cada, no país.

Genuinamente brasileiro, o projeto Relaciono foi criado em 2007 e consiste em promover reuniões regulares de networking e relacionamento de negócios entre empresários, profissionais liberais, executivos e demais interessados em expandir sua rede de relacionamento com outras pessoas de mesma mentalidade. Por meio de encontros, os participantes podem falar sobre si e seus negócios, conhecer melhor os demais participantes, debater assuntos levantados pelo grupo e trocar experiências e conhecimentos.

O papel do IBEF como facilitador de relacionamentos

Associar-se a uma entidade como o IBEF, por si só, já torna a construção de relacionamentos relativamente mais simples, afinal, todos os envolvidos têm o instituto como ponto comum. “Considero o IBEF um instituto completo, pois nele estão reunidas oportunidades de desenvolvimento técnico, social e profissional, essenciais a todos os executivos”, destaca Luiz Augusto Miranda, do HSBC.

Rubens Batista Junior
“Não podemos nos relacionar apenas com o interesse de nos promover ou de nos beneficiar. Aos olhos de nossos pares, isso soaria forçado e superficial demais. Seria um grande erro de nossa parte. O relacionamento deve acontecer de modo natural, movido pela razão de querermos causar impacto positivo na vida das pessoas com as quais convivemos” Rubens Batista Junior (Kaph/IBEF SP)

“O executivo financeiro é alguém que atua no back office, que não aparece muito e, consequentemente, é alguém solitário”, comenta Rubens Batista Junior, da Kaph Financial Group. “Estando no IBEF, ele passa a ter a possibilidade de contatar e ser contatado para discussão de experiências, troca de ideias, identificação de negócios. Há também a possibilidade de o instituto colocar, mediante solicitação, os associados em contato, atuando como um agregador”, complementa.

“O instituto contribui para a formação de uma rede de contatos, por meio dos eventos que patrocina, como almoços, encontros socioesportivos e cafés da manhã, e por meio das comissões técnicas, que abordam diferentes temas relevantes ao executivo de Finanças”, afirma José Rogério Luiz. “De maneira combinada, o IBEF consegue unir informação, relacionamento e capacitação profissional, contribuindo para o crescimento do executivo em todos os aspectos”, completa. “O IBEF é uma excelente maneira de se começar a praticar o networking e formar uma rede de relacionamento, uma vez que o instituto possibilita o contato com profissionais de diversas segmentos”, pontua Luciana Medeiros, da PwC.

“O IBEF Mulher, do qual sou coordenadora-geral, foi estruturado sob três pilares, sendo um deles o relacionamento. Com isso, buscamos integrar as novas executivas associadas, apresentando-as aos demais membros, atuando como uma ponte entre os recém-chegados e os veteranos, com vistas a possibilitar a criação de novos relacionamentos”, explica.

“No meu caso, o IBEF foi perfeito. Junto ao instituto tive a oportunidade de conhecer pessoas que trabalham na minha área e, com isso, pude trocar experiências e evoluir pessoal e profissionalmente. Aliás, no IBEF, conquistei mais do que colegas de profissão, conquistei alguns amigos também”, conta Rodrigo Kede, da IBM. “Mas, para ter acesso a essa imensa rede de contatos, é preciso se dispor a participar dos eventos de conteúdo e também de relacionamento. Participar de alguma subcomissão de trabalho também é bastante válido”.

Paulo de Tarso Borges Baptista
“As redes virtuais facilitam muito o processo de comunicação entre as pessoas, proporcionando uma infraestrutura e simplificando os processos para mantermos nossa rede de relacionamento. Entretanto, apenas as relações mais próximas, mesmo que fortemente baseadas em tecnologia, serão eficazes” Paulo de Tarso Borges Baptista (Marsh/IBEF SP)

Paulo de Tarso Borges Baptista, da Marsh, destaca a atuação do instituto. “O IBEF atua de maneira exemplar com os eventos que promove, com a revista IBEF News, o encontro socioesportivo e sua presença por meio das regionais, contribuindo constantemente para a troca de informações e conhecimento entre seus associados. Além disso, é um instituto que tem acompanhado a evolução dos tempos e proporciona um foro privilegiado a seus membros. Talvez uma rede interna para atualização e facilitação do relacionamento e um portal virtual mais interativo possam consolidar ainda mais essa posição”, sugere.

Para os entrevistados, a participação dos executivos em eventos técnicos e sociais promovidos pelo Instituto são de grande valia para a construção de uma sólida e útil rede de contatos. Contudo, para que essa rede seja efetivamente formada e capaz de gerar benefícios a todos os envolvidos, é essencial que haja interesse, disposição, determinação e paciência por parte do executivo.

Para compreender o assunto
Sugestões de livros que podem contribuir para o aprofundamento acerca do networking e, consequentemente,auxiliar os profissionais na prática adequada da formação e utilização de uma rede de contatos:

• “As novas regras do marketing e do networking” – David Scott.
• “Como fazer amigos e influenciar pessoas” – Dale Carnegie.
• “Networking – Como utilizar a rede de relacionamentos na sua vida e na sua carreira” – José Augusto Minarelli.
• “Networking – Desenvolva sua carreira criando bons relacionamentos” – Diana Darling.
• “Networking – Saiba como construir as melhores redes de relacionamentos” – Michael Dulworth.
• “Networking eficaz para o sucesso” – Rupert Hart.
• “Networking: como criar, manter e usufruir de sua rede de contatos” – Andréa Lebre
• “Nunca almoce sozinho” – Keith Ferrazzi e Tahl Raz.
• “O livro negro do networking” – Jeffrey Gitomer.
• “O poder do networking estratégico” – Don Gabor.
• “Planejamento de carreira e networking – Série profissional” – Aggie White.
• “Superdicas de networking para sua vida pessoal e profissional” – José Augusto Minarelli.
• “What color is your parachute?” – Richard Nelson Bolles.

Revista IBEF News, edição 148, Setembro 2010, p. 44 a 52

 

Escrito por : MiyashIta Consulting

Nosso negócio é promover e disseminar a prática de marketing pelo caminho da transmissão de conhecimento, aplicado em projetos e treinamentos.

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