Ser um investidor e só enxergar os riscos financeiros, pode ser um grande risco para os investimentos

O investidor precisa saber trabalhar com os riscos, sem ganância, sem buscar caminhos que lhe forneçam a “grande bolada”. Numa economia estável de regras claras, o investidor é muito mais um profissional do risco do que um “espertalhão” que procura “jogadas”

O risco, analisado pelo enfoque da gestão financeira, é parte integrante de qualquer investimento ou aplicação financeira em determinado ativo, seja uma empresa, ou um fundo com papéis na bolsa.

A questão é, já que o risco faz parte, portanto, de qualquer negócio ou aplicação financeira, por quê os investidores – na sua média – tem aversão exacerbada aos riscos? Por que muitos fogem em “debandada” frente a um boato?

Há alguns fatores que podem responder essa questão. Uma delas são os fatores históricos econômicos. Em quase toda história contemporânea brasileira nós nunca tivemos uma economia equilibrada, com regras estáveis e sem os planos mágicos, lançados a cada gestão presidencial. Somente nos últimos anos, a partir de mais um plano – o Real – começamos a viver um clima de menos turbulência e mais democracia. Ainda não estamos numa situação de total liberalidade econômica, mas estamos, e podemos afirmar, bem melhores que há muitos anos atrás, onde não havia regra, nem lógica nas decisões econômicas governamentais.

Essa falta de regras claras, fez da atividade de investimento algo sempre de alto risco, sem o aprendizado de uma metodologia e processos de investimentos. A figura do investidor sempre esteve, e ainda está, associada à imagem de “pessoas espertas”, “ratos” e “manipuladores de boatos”, com alto conhecimento das engrenagens do sistema financeiro. Estas imagens, na verdade percepções, claro que são exageradas, porém retratam como são vistos quem trabalha com investimentos, seja na produção, seja apenas na especulação.

Há muito preconceito, o que contribui – em parte – para a não profissionalização das funções do investidor. Que ainda carrega parte da cultura de “Gerson” e das oportunidades geradas pelo e com o governo. Isso alimenta a ganância e o hábito de somente investir quando se tem mais certeza sobre os resultados. Só que todo investimento possui riscos e os riscos fazem parte das realizações.

A grande questão é que o investidor precisa saber trabalhar com os riscos, sem ganância, sem buscar caminhos que lhe forneçam a “grande bolada”. Numa economia estável de regras claras, o investidor é muito mais um profissional do risco do que um “espertalhão” que procura “jogadas”.

Para isso esse novo profissional precisa ter uma visão mais abrangente dos riscos, não somente os riscos financeiros, mas os riscos que formam as quatro dimensões básicas de qualquer empresa: risco de Mercado, de Crédito, Operacional e Legal.

Afinal, só poderemos ter uma visão abrangente do valor do investimento se pudermos avaliar com clareza os riscos envolvidos em cada operação. E numa economia estável, há poucos riscos promovidos pela economia governamental – se concentrando, na maioria dos casos, nas evoluções da taxa de juros, do Dólar e das políticas fiscais e tributárias. Se basear apenas nas questões macroeconômicas para decidir um investimento é algo que enxergamos como imprudente e antigo.

Há muitos outros riscos que devem ser observados. O maior deles, visível principalmente numa economia competitiva e globalizada, é o risco de mercado. Mais que o governo federal, o mercado é um ambiente em constante mutação e desenvolvimento. Saber prever suas evoluções é atividade importante para se avaliar os resultados futuros de um investimento.

Portanto um investidor deve ser muito mais que um especulador. Deve ser um conhecedor do mercado e um avaliador dos riscos, nas suas quatro dimensões básicas. Esse é novo perfil do investidor, o Chief Risk Officer – CRO.

Bem diferente do perfil de “Gerson” e suas jogadas. Mas se isto está claro, por que mesmo assim os investidores tem aversão aos riscos?

Ainda falta a cultura do bom investidor, e associar o investimento não somente à papéis e sim à negócios que devem ser avaliados como oportunidades em toda sua amplitude e caracterização.

Muitos continuam avaliando empresas apenas pelos seus indicadores clássicos: EBITDA e os valores de suas ações na bolsa, ou mesmo pelo valor do seu patrimônio atual.

Certamente uma atitude de alto risco para seus investimentos.

 

Escrito por : Marcelo Miyashita

Consultor líder da MIYASHITA CONSULTING. É professor de marketing em cursos de MBA e pós-graduação. Leciona na Cásper Líbero, FIA Fundação Instituto de Administração, FGV-EAESP GVpec e Madia Marketing School.

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